Cultura da Videira

Guia prático da vinha
Guia Prático - Proteção da Vinha

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Problemas

  • Ácaros da Vinha

    Descrição

    Os ácaros são aracnídeos que no estado adulto possuem 4 pares de patas e não possuem asas nem antenas. Localizam-se maioritariamente na página inferior das folhas (onde formam as suas teias) e alimentam-se preferencialmente das folhas através da sua armadura-bucal picadora- sugadora originando descolorações pontilhadas resultantes das picadas.

    A infestação intensa condiciona a eficiência fotossintética e a transpiração da planta provocando o amarelecimento e a seca das folhas que se reflete no vigor da vinha e na qualidade da produção.

  • Black Rot da Vinha

    Descrição

    Black rot é causada pelo fungo ‘Guignardia bidwellii’. Esta doença ataca a videira, e tem vindo a assumir uma importância cada vez maior e em cada vez presente em mais regiões vitícolas Nacionais. A sua importância deve-se não apenas à sua elevada capacidade destrutiva da produção, como também ao comprometimento da madeira de poda e da má qualidade dos vinhos obtidos com uvas atacadas.

    Condições favoráveis à doença:

    • Temperaturas amenas, chuva e humidades elevadas
    • As infecções necessitam de água e temperaturas acima de 7 ºC.
    • O período de incubação varia com a temperatura, a duração da humectação (o período de tempo de folha molhada) e a idade dos tecidos, podendo ir de 2 semanas a poucos dias. Nos cachos o período de incubação médio é de cerca de 3 semanas.

    • Formas de sobrevivência no inverno – nos frutos mumificados nas vinha ou caídos no solo ou ainda como micélio dormente nas lesões e nos gomos das plantas infectadas.

    Sintomas:

    • Folhas – É onde surgem os primeiros sintomas, caracterizam-se por pequenas manchas no interior da folha, de forma poligonal, de bordos mais escuros e que evoluem de cinzento a castanho, onde posteriormente surgem umas pontuações negras, as frutificações esféricas do fungo – picnideos.

    • Pecíolos das folhas – surgem lesões alongadas e escuras características que podem levar à murchidão das respectivas folhas.

    • Cachos – geralmente não atacam o cacho na totalidade mas sim alguns bagos. Estes apresentam manchas oblongas de cor característica castanha que rapidamente escurecem. Os bagos mirram e adquirem um aspecto mumificado com picnideos na sua superfície.

    • As folhas estão susceptíveis até estarem completamente expandidas, fase em que se tornam resistentes. Os bagos são susceptíveis desde a pré floração ao fecho.

     

  • Carências de Fitonutrientes da Vinha

    Descrição

    Para obter produtividades elevadas é necessário proporcionar às plantas um suporte equilibrado de nutrientes e sobretudo prevenir possíveis carências nutricionais. Durante o desenvolvimento vegetativo a aplicação foliar de determinados nutrientes permite maximizar o potencial produtivo da cultura e evitar o stress nutricional.

  • Cicadelídios da Vinha

    Descrição

    Nos Cicadelídeos destaca-se, a cigarrinha-verde, ‘Empoasca vitis’. Os adultos hibernam no inverno em plantas cultivadas ou infestantes. Na primavera, ao abrolhamento, migram para a vinha e efetuam as posturas junto à nervura principal da página inferior das folhas ou nos pecíolos.

    Após o período de incubação de 5 a 7 dias, as ninfas passam por 5 instares, deixando as exúvias na página inferior das folhas. Após a queda das folhas, transferem-se para outras plantas hospedeiras. Esta praga apresenta 3 gerações anuais.

    Sintomas:
    •Os estragos provocados são consequência da sua atividade alimentar e da injeção de compostos tóxicos que enfraquecem a planta. Para se alimentarem, os cicadelideos (armadura bucal picadora-sugadora) picam as folhas até aos vasos condutores provocando: a laceração das células fotossinteticamente ativas, hipertrofia celular e necrosamento das margens das folhas (ação tóxica da saliva) – Estragos directos.

    •O ataque provoca sintomas nas folhas jovens que ficam descoloradas (amareladas em castas brancas e avermelhadas nas castas tintas), a margem das folhas torna-se acastanhada e enrola-se sobre a página inferior.

    •Devido à redução da capacidade fotossintética, verifica-se debilidade da planta, encurtamento e mau atempamento das varas e quebras de produção – Estragos indirectos.

  • Cochonilha da Vinha

    Descrição

    As cochonilhas podem instalar-se em todos os órgãos da videira (verdes e lenhosos).

    Causam prejuízos diretos ao alimentarem-se da seiva através da sua armadura bucal picadora – sugadora e indiretos: a melada excretada pelas cochonilhas favorece o desenvolvimento de fungos – fumagina que provocam o enegrecimento das zonas afetadas e que dificulta as funções de respiração, elaboração e acumulação de reservas pelas folhas e compromete o valor comercial (uva de mesa) ou qualidade do vinho.

    [A presença de formigas é um bom indicador da presença de cochonilhas, estas criam relações mutualistas com formigas – alimentam-se da melada excretada e protegem-nas dos seus predadores.]

  • Desladroante da Videira

  • Escoriose da Vinha

    Descrição

    ‘Phomopsis vitícola’ é uma doença do lenho da videira que hiberna sob a forma de picnidíos na madeira necrosada dos sarmentos, braços e tronco, ou, nos gomos da base dos sarmentos da videira.

    Os picnídios, pontos negros visíveis a olho nu, contêm no seu interior esporos que ao abrolhamento infetam os órgãos verdes. A infeção dá-se nos estados de maior sensibilidade da videira (ponta verde, saída das folhas e folhas livres).

    A precipitação e a temperatura são fatores condicionantes para o desenvolvimento da doença – Condições de humidade relativa> 95%, temperaturas entre 15-18ºC e período de humectação superior a 7h.

    Sintomas:
    • Folhas – pontuações negras com uma auréola amarelada, localizadas preferencialmente sobre o pecíolo e nervuras principais.
    • Cachos – as manchas localizam-se no pedúnculo e no ráquis, dando origem, no Verão, a necroses acastanhadas, estriadas ou fusiformes, mais ou menos profundas.
    • Varas – formam-se pequenas lesões negras, arredondadas ou lineares, mais ou menos profundas nos entrenós da base, que se tornam esbranquiçadas.
    Os gomos basais morrem não abrolhando na Primavera seguinte e a base dos sarmentos pode apresentar-se fendilhada.

  • Flavescência Dourada da Vinha

    Descrição

    Doença epidémica exclusiva da videira que obriga ao arranque das cepas infetadas. Causada por um fitoplasma que parasita as células do floema da videira e que é transmitido pelo inseto vetor – ‘Scaphoideus titanus’. Este cicadelídeo apresenta uma geração por ano.

    As fêmeas fazem as posturas dos ovos de agosto a outubro na madeira de 2 anos ou mais, sendo que a eclosão se inicia em maio. As larvas colonizam rapidamente as folhas e passam por 5 estados larvares até atingirem o estado adulto.

    Os primeiros adultos surgem em julho e voam até ao final de agosto. As larvas ou os adultos ao alimentarem-se das folhas já infetadas tornam-se vetores do fitoplasma.

    Para infetar outra cepa, o fitoplasma tem de passar um período de incubação de cerca de 30 dias no organismo do inseto. Após este período, ao alimentar-se, injeta o fitoplasma na cepa, contaminando-a.  O inseto não transmite a doença à descendência. A videira infetada pode apresentar sintomas no ano seguinte à infeção ou até 5 anos depois.

    Sintomas:

    As videiras infetadas apresentam atraso na rebentação, abrolhamento tardio e varas não atempadas.

    •Folhas – descoloração (amarelecimento nas castas brancas e vermelhidão nas castas tintas), com enrolamento para a página inferior. As folhas tornam-se rígidas e quebradiças.

    •Inflorescências – dessecamento das inflorescências à floração

    •Cachos – murcham e secam (bagos com polpa fibrosa e acidez elevada)

  • Formas Hibernantes de Insectos e Ácaros da Videira

  • Infestantes anuais e/ou vivazes da Vinha

    Descrição

    As infestantes anuais completam o seu ciclo durante um ano.

    As infestantes vivazes ou perenes vivem mais de 2 anos e reproduzem-se por semente e também através de rizomas, estolhos, raízes, tubérculos e bolbos.

    As infestantes competem com a cultura pela água, nutrientes e luz causando prejuízos ao desenvolvimento e redução da qualidade e quantidade de produção e podem ser hospedeiras de pragas e doenças. Interferem nas operações culturais.

  • Míldio da Vinha

    Descrição

    Principal doença da vinha causada pelo fungo endoparasita (que se desenvolve no interior dos tecidos da planta) ‘Plamospara viticola’ e que ataca todos os órgãos verdes da planta – folhas, pâmpanos, inflorescências e cachos.

    As infeções primárias surgem quando se verificam, em simultâneo, as seguintes condições: temperatura mínima ≥ 10ºC, precipitação > 10 mm/24h, pâmpanos >10 cm (Regra dos três 10).

    Sintomas:
    • Folhas – manchas circulares de cor verde pálido com aspeto oleoso nas páginas superiores das folhas e a que corresponde um enfeltrado branco (conidióforos e conídios) na página inferior.

    • Cachos – enfeltrado branco com posterior necrosamento do bago.

    • Pâmpanos e sarmentos – coloração castanha e deformação em “S”.

  • Molhante da Vinha

    Descrição

    Os molhantes permitem melhorar a molhabilidade e aderência das caldas sobre as superfícies tratadas.

  • Mosca do Mediterrâneo da Videira

  • Oídio da vinha

    Descrição

    O Oídio da Vinha é uma doença cujo fungo (Uncinula necator Bern.) hiberna sob a forma de micélio nos gomos (fase assexuada), ou, em cleistotecas nas folhas e varas que ficam no solo ou no ritidoma das cepas (fase sexuada). As cleistotecas contêm no seu interior 4 a 8 ascósporos.

    Em dias nublados, com manhãs de elevada humidade relativa (> 25%), seguidos de períodos de sol com temperaturas > 25ºC, as cleistotecas germinam e ocorre a libertação dos ascos com os ascósporos, que ao se depositarem sobre os orgãos verdes da videira, sob condições climáticas favoráveis, provocam as Contaminações primárias.
    As folhas apresentam um micélio branco amarelado em ambas as páginas; revelando um aspecto crispado e dobradas em goteira. Os cachos cobrem-se de um micélio branco, podendo os bagos fendilhar ou suberizar. As varas na altura da poda, apresentam-se de cor branca com manchas castanhas, evidenciando a presença de cleistotecas
    Os prejuízos mais graves verificam-se nos cachos, pois o ataque de oídio provoca paragem de crescimento da pele dos bagos, que acabam por fendilhar, deixando as graínhas a descoberto, constituindo uma “porta de entrada “ para a instalação da Botrytis sp..Consequentemente ocorrem perdas de quantidade e qualidade na colheita.

  • Podridão Cinzenta da Vinha

    Descrição

    ‘Botrytis cinerea’ surge sobre as folhas, caules, flores e frutos em condições de elevada humidade.

    Caracteriza-se pelo aparecimento de micélio de cor cinzenta constituído por conidióforos e conídios.

    A infeção dá-se em condições de humidade relativa elevada, temperaturas favoráveis (15 a 20ºC) e pela presença de feridas ou lesões nos órgãos verdes da planta. O deficiente arejamento (vegetação densa) propícia condições ótimas ao desenvolvimento do fungo.

    Sintomas:

    • Folhas – manchas inicialmente pequenas e amarelas que se tornam mais largas, acinzentadas e podem envolver toda a folha que fica necrosada.

    • Pâmpanos e varas – as infeções originam lesões alongadas escuras em depressão, com um rebordo bem definido, que podem espalhar-se e causar uma podridão mole. Os tecidos infetados tornam-se moles e húmidos e, à medida que a infeção progride, estas áreas aumentam, tornam-se acastanhadas, esponjosas ou encortiçadas. Os ataques nos caules podem ir de pequenos cancros laterais a uma necrose, que rodeia completamente o caule.

    • Cachos – manchas castanhas cobertas com micélio cinzento. Os cachos estão suscetíveis em todas as fases do desenvolvimento.

  • Traça da Uva da Vinha

    Descrição

    A traça da uva ‘Lobesia botrana’ é um lepidóptero com 3 gerações anuais. Hiberna sob a forma de crisálida dentro de um casulo sedoso, no ritidoma das cepas ou no solo.

    Na primavera, surgem os adultos – 1º vôo da traça. A sua atividade é essencialmente crepuscular, efetuando o vôo apenas com temperaturas acima dos 14ºC.

    As fêmeas realizam as posturas nas inflorescências, iniciando-se a primeira geração. 6 a 9 dias depois surgem as lagartas, que atacam os botões florais e tecem fios sedosos, teias, para formar os ninhos.
    A segunda geração inicia-se com as posturas no bago de ervilha, em que as lagartas perfuram alguns bagos, sendo que o início da terceira geração ocorre com as posturas sobre o bago no início da maturação.

    Sintomas:
    • Os danos provocados pela primeira geração são pouco significativos, enquanto as segunda e terceira gerações já provocam prejuízos diretos nos bagos e indiretos ao criar portas de entrada para a instalação de ‘Botrytis cinerea’ (podridão cinzenta) nas lesões dos bagos.

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